Alongamento
Muitas
pessoas confundem alongamento com flexibilidade, mas devemos atentar para a
diferença entre os dois. Onde flexibilidade pode ser definida como a amplitude
de movimentos (ADM), ou seja, o grau de amplitude em que uma estrutura pode se
afastar da outra, onde o máximo seria o ângulo de 0º (ou 180º, para outros
estudiosos), ao passar disto seria considerada hiperflexibilidade. Já o
alongamento pode ser definido como qualquer exercício ou manobra terapêutica
que tem por objetivo alongar (esticar) estruturas de tecido mole, e, portanto,
aumentar a amplitude de movimentos (ADM). Então com as definições acima,
podemos dizer que flexibilidade é considerada a valência física e o
alongamento o meio para desenvolver esta valência, a flexibilidade.
O
alongamento pode ser estático (passivo ou ativo), ou balístico (dinâmico). No
método estático move-se o grupo músculo-articular lentamente, mantendo-se uma
postura com tensão muscular, e sustenta-se esta postura por alguns segundos.
Este método pode ser passivo, onde o indivíduo alonga um determinado grupo
muscular com a ajuda de forças externas, como aparelhos ou outro indivíduo,
estando o praticante passivo, isto é, com descontração muscular. Este método
de alongamento é o mais indicado para indivíduos que desejam aumentar a
flexibilidade e a qualidade de vida, por permitir realizar os exercícios em ótima
postura e sem muito desconforto.
O método
estático também pode ser ativo, onde o indivíduo deve alcançar a maior
amplitude de movimento pelo maior alcance do movimento voluntário, utilizando a
força dos músculos agonistas (que realizam o movimento) e do relaxamento dos músculos
antagonistas (que limitam o movimento). Este é um excelente método para
praticante de atividades físicas, principalmente desportos onde ocorrem paradas
súbitas e mudanças bruscas de direção de movimentos, tipo futebol, handebol,
basquetebol. Nestes casos, o exercício de alongamento estático ativo realizado
com força dos agonistas pode contribuir para o condicionamento requerido.
Outro método
de flexibilidade muito utilizado por praticantes de atividades físicas, é o método
balístico, que consiste num movimento composto. A primeira fase é um movimento
de força contínua em que se usa um movimento acelerado pela contração concêntrica
dos músculos agonistas, sem o impedimento de contração dos agonistas. A
segunda fase é um movimento em posição de inércia sem contração muscular.
Na amplitude final do movimento desacelera-se deixando a resistência por conta
dos ligamentos e músculos alongados, fornecendo uma resposta elástica.
Resposta
Elástica X Resposta Plástica
Quando
se alonga um músculo, ou grupo muscular, sem forçar demais sua amplitude de
movimento, geramos um afastamento do local de origem e inserção do músculo,
que chamamos de alongamento. Se este alongamento ocorrer de forma suave e chegar
próxima a sua amplitude articular máxima e for mantida a posição por pouco
tempo, a fibras musculares se alongam e posteriormente quanto relaxada a postura
essas mesmas fibras voltam a sua posição e comprimento normais. Isto é
chamado de resposta elástica da musculatura.
Quanto o
alongamento segue as condições citadas acima, porém o tempo de permanência
na postura aumenta, o conseqüentemente tenta-se aumentar a amplitude de
movimento, acaba-se gerando uma deformidade plástica na musculatura, onde as
fibras perdem por algum tempo sua capacidade contrátil, sendo está situação
chamada de resposta plástica da musculatura. Sendo esta resposta a mais
significativa para ganhos de amplitude do arco de movimento.
Tipos
de alongamentos mais indicados antes e após uma sessão de treinamento
Antes da
realização de atividades físicas em geral, ou após o término das mesmas,
deve-se alongar, mas também deve-se levar em consideração o nível de
flexibilidade da articulação solicitada; as exigências de contrações
musculares das atividades físicas a serem realizadas; e o nível de fadiga do
sistema muscular após o esforço físico.
Para não
atletas, exercícios de alongamentos são recomendados antes e depois dos exercícios
físicos, isto porque o programa de exercícios físicos não leva o indivíduo
a exaustão, ou seja, os exercícios não são realizados com contrações máximas
ou com produção elevada de ácido lático.
Exercícios
de alongamento devem ser aplicados na primeira ou na segunda parte do
treinamento, ou seja, antes ou depois do aquecimento que precede o treinamento,
ou após o treino. Se os exercícios de alongamento forem aplicados antes do
aquecimento sugere-se começar com exercícios de alongamento estático e com
leve tensão em uma ou duas séries sustentando cada postura durante pouco
tempo. Se o indivíduo caminhar, correr ou pedalar inicialmente para depois
realizar os exercícios de alongamento, ele poderá estar se preparando mais
para as primeiras séries de exercícios, pelo fato de o aumento da temperatura
do tecido corporal favorecer o deslizamento das pontes cruzadas, que realizam a
contração muscular.
No meio
desportivo nota-se que atletas experientes dedicam menor tempo de permanência n
alongamento estático e maior tempo no exercício de alongamento dinâmico,
ativo ou balístico, isto pode ser eficiente pela especificidade dos exercícios
de alongamento dinâmico como pela manutenção dos índices de flexibilidade.
Os exercícios
de alongamento precisam abranger todos os ângulos de exigências das
habilidades atléticas e vários outros ângulos necessários para alongar um
determinado grupo músculo-articular. Sugere-se, ainda não começar o
aquecimento pelo alongamento ativo, mas sim por uma atividade cíclica, tipo:
caminhada, corrida e pedalada. Isto é compreensível, pois a temperatura na
extremidade é mais fria que a temperatura central, e somente um aquecimento
planejado pode garantir uma circulação plena.
Segundo
a afirmação acima, o alongamento “a seco”, sem aquecimento, beneficia a
deformação plástica (permanente do tecido) e com o aquecimento beneficia-se o
alongamento elástico (deformação transiente do tecido). Ele explica que um músculo
quente torna-se por alguns instantes mais flexível (deformação elástica), o
que facilita provisoriamente seu alongamento, mas ele retornará a seu
comprimento de origem no estado frio, enquanto que o alongamento dos músculos
frios permitirá conservar os aumentos adquiridos (deformidade plástica).
Estas
diferenças de plasticidades dos tecidos, podem demonstrar que o tecido aquecido
precise de maior amplitude para apresentar uma resposta plástica, e conseqüentemente
uma ativação do órgão tendinoso de Golgi e do fuso muscular, que são
responsáveis pela inibição da contração muscular em graus máximos de tensão
e estiramento do músculo. Sendo este considerado um dos principais motivos da
pratica do alongamento antes do treinamento.
È
importante considerar o tipo de contração muscular a ser realizado no esforço
físico, pois se ela for máxima como no halterofilismo, parecem ser bem aceitas
poucas séries de exercícios de alongamento ministradas em tempo limitado
(curto), antes do treinamento. O pouco tempo de duração em alongamento não
possibilita o relaxamento total das fibras musculares (arrastadura do tecido
pela deformação plástica). Se houver deformidade plástica, isso pode causar
enfraquecimento temporário no tecido, sendo isso importante para o crescimento
muscular à longo prazo. Não é interessante fazer preceder um treino de força
máxima ou potência, com exercícios de alongamento para desenvolver a
flexibilidade. Isto pode aumentar os danos nos tecidos, como o produto da
deformação do alongamento e das exigências desportivas. Estudos demonstram
que muito tempo sustentando as posturas do alongamento, antes da potência e
movimentos rápidos pode reduzir o tônus muscular.
Se o
treino for máximo ou de potencia, não se intensifiquem os exercícios de
alongamento ao final do treinamento; é preferível administrar sessões mais
fortes de alongamento nos dias que o treinamento priorizar a técnica e a tática,
no caso de atletas. E no caso de não atletas, uma sugestão é desenvolver a
flexibilidade nos grupos musculares não trabalhados naquele dia e realizar
exercícios de volta a calma e descontração muscular dos grupos treinados, no
final do treino.
Para
aqueles que optam por exercícios de alongamento após treinamento com forte
sobrecarga recomendamos o método estático com baixa tensão muscular entre 15
e 30 segundos para aliviar a tensão muscular e evitar contraturas crônicas. Vários
autores sugerem que o exercício de alongamento mantido na duração de 30 a 120
segundos, no final do treino (não máximo) garante vantagem máxima para
desenvolver a flexibilidade.
Quando o
treino é muito forte ou após atividades de longa duração (vinculadas a
sintomas de dor tardia), aumenta-se o limiar dos fusos musculares (que informam
ao sistema nervoso central o grau de estiramento dos músculos). Além disso, a
fadiga pode tornar alguns ligamentos lassos, assim como também diminui a
capacidade de extensão muscular e conseqüentemente a capacidade do músculo
para absorver energia, o que torna o sistema muscular mais propenso a lesões
com menos tensões, durante os exercícios de alongamento. Então nos momentos
de cansaço extremo ou fadiga muscular, faça um relaxamento muscular e deixe
para alongar quando já estiver recuperado.
Benefícios
dos exercícios de alongamento
Os exercícios
de alongamento eliminam e/ou reduzem os encurtamentos do sistema muscular e os nódulos
musculares; evitam o encurtamento músculo-tendíneo; aumentam e/ou mantém a
flexibilidade; diminuem os riscos de lesões músculo-articulares; aumentam a
distância e o tempo sobre o qual a força é desenvolvida; aumentam o
relaxamento muscular e melhora a circulação sangüínea; melhoram a coordenação,
evitam esforços adicionais no trabalho muscular e no desporto; reduzem a resistência
tensiva muscular antagonista e aproveita mais economicamente a força dos músculos
agonistas; liberam a rigidez e possibilitam melhorar a forma e simetria
muscular; melhoram as posturas estáticas e dinâmicas; melhoram problemas
posturais que alteram o centro de gravidade provocando adaptação muscular.
Algumas
ocasiões em que se devem evitar exercícios de alongamento
- Sempre
que houver evidência de um processo inflamatório agudo ou infeccioso.
- Sempre
que um bloqueio ósseo limitar a amplitude articular, deve-se evitar o aumento
da flexibilidade.
- Após
uma fratura recente.

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